No dia das mulheres, gostaríamos de homenageá-las neste artigo, com a história de mais uma de suas conquistas. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1932, Maria Lenk foi à primeira mulher sul-americana a competir nas Olimpíadas, tendo sido a única mulher do país a ser introduzida no Swimming Hall of Fame, em Fort LauderdaleFlórida.

Maria Emma Hulga Lenk Zigler mais conhecida como Maria Lenk, nasceu em São Paulo em 15/01/1915, era filha de imigrantes alemães que vieram ao Brasil em 1912. Aos 10 anos de idade, Maria Lenk teve uma pneumonia, o que levou seus pais a acreditarem que a natação faria bem à saúde de sua filha.

Quando não podia utilizar as piscinas, Maria Lenk teve de buscar alternativas, como dar suas primeiras braçadas no Rio Tietê, que na época era permitido o banho recreativo e prática de esportes. Em 1925 o Rio Tietê não era poluído e era aberto ao público.

Aos 17 anos foi um dos destaques em campeonatos interestaduais, sendo convidada, junto a outros 82 atletas a participar da Olimpíadas de 1932, em Los Angeles – E.U.A. Mas a crise que atacava o EUA, fez com que a competição tivesse a menor taxa de participação de atletas desde 1908. Sua crise foi sentida também no Brasil que para custear a viagem dos atletas, o governo conseguiu financiar a viagem em troca de trabalho.

A delegação embarcou no navio Itaquicê com 50 mil sacas de café, que teriam de ser vendidas pelos atletas, ou não poderiam participar da competição. Após um mês de viagem, a delegação descobre que para participar da Olimpíadas, as autoridades norte-americanas cobravam um dólar para cada passageiro que deixasse a embarcação. A delegação então selecionou 68 dos 82 atletas que tinham mais chance de ganhar medalhas para desembarcarem, e Maria Lenk foi um deles. E quem não desceu do navio havia recebido a missão de vender as sacas de café em San Francisco.

Maria Lenk participou dos 100m livre, 100m costas e dos 200m peito, com um uniforme emprestado, que teve de devolver quando as provas acabaram. Infelizmente sua melhor colocação foi em oitavo lugar nos 200m peito, não conseguindo medalha para o Brasil, mas segundo ela, a Olimpíadas de Los Angeles foi onde aprendeu o que era treinamento, observando as grandes campeãs.

Na Olimpíadas de Berlim realizada em 1936, ela também participou da competição, mas desta vez foi acompanhada de mais três nadadoras. Apesar de novamente não ter passado das semifinais e não ganhar a medalha, Maria Lenk entrou na disputa de nado de peito, quando fez uma braçada de forma diferente. Assim nasceu o estilo “nado borboleta”, onde Lenk foi a pioneira, a primeira mulher a nadar no estilo nado borboleta nas Olimpíadas.

Seu novo método foi tão impressionante que passou a fazer parte das principais disputas nas principais competições mundiais a partir dos anos 1950.

Após participar de duas Olimpíadas, Maria Lenk estava no auge de sua forma e carreira. Era a grande favorita a ganhar a primeira medalha de ouro de mulheres brasileiras em esportes individuais, pois ela havia batido dois dos recordes mundiais, o de 200m e o de 400m de peito em 1939, enquanto se preparava para a Olimpíadas de 1940 em Tóquio. E isso sem um técnico lhe acompanhando, pois ela tinha seus próprios métodos de treinamento.

Mas a participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio, apesar da coragem de nossa desbravadora, foi sua maior frustração, quando seu maior sonho de conseguir uma medalha de ouro foi eliminado. Com o início da Segunda Guerra Mundial em 1932, os planos para os Jogos Olímpicos de 1940 tiveram de ser cancelados.

No início dos anos 40, Maria Lenk durante sua excursão pelos EUA quebra doze recordes norte-americanos e aproveita seu tempo para concluir o curso de Educação Física na Universidade de Springfield. Foi quando sua frustração pela Olimpíadas de Tóquio foi superada, decidindo então abandonar a carreira. Mas ela nunca se afastou das piscinas.

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Lenk se casou, teve dois filhos – Gilbert e Marlen – e ajudou a fundar a Escola Estadual de Educação Física, da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde era membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação.

Até hoje possui diversos recordes mundiais, sendo homenageada com o Top Tem da Federação Internacional de Natação (FINA) em 1988 por ser um dos dez melhores nadadores master do mundo.

Mesmo após se aposentar, continuou batendo recordes mundiais em várias faixas etárias da categoria Masters. No campeonato de 2000, ela conquistou em Munique cinco medalhas de ouro, sendo campeã dos 100m peito, 200m livre, 200m costas, 200m medley e 400m livre.

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Até hoje Lenk foi a única mulher brasileira a bater recordes mundiais de natação. Além de ter também publicado seis livros sobre desporto e gestão esportiva. Mas para chegar aonde chegou, Maria Lenk teve de passar por cima de vários preconceitos em uma época em que as atletas femininas não eram “bem vistas” pela sociedade, por praticarem esportes. Muitas abandonavam a carreira após se tornarem moças e começarem a namorar, quando os namorados as proibiam de praticar esportes.

Mas Maria Lenk foi firme e continuou sua carreira, se tornando um dos maiores nomes da história da natação brasileira. Até os últimos dias de sua vida, ela nadava cerca de 1.500m por dia, até que em 2007, aos 92 anos de idade, Maria Lenk faleceu de parada cardíaca na piscina do Clube Parque Aquático do Flamengo – RJ, enquanto treinava para disputar a prova de 1.500m do Campeonato Brasileiro de Masters.

Logo após sua morte, a Prefeitura do Rio de Janeiro decretou que o parque aquático construído especialmente para os Jogos Pan-Americanos do Rio recebesse seu nome, assim como também a principal competição de natação do Brasil, antigo Troféu Brasil, que hoje se chama Troféu Maria Lenk.

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Esta história foi uma homenagem da Piscinas Planalto para todas as mulheres do mundo. Feliz Dia Internacional da Mulher!

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